por LUÍS NAVES

Cientistas americanos da Universidade de Case Western Reserve conseguiram manter padrões sustentados de actividade em tecidos cerebrais mantidos in vitro, ou seja, em laboratório. A descoberta terá implicações no futuro estudo da memória e das suas propriedades. Provavelmente, também no combate à epilepsia e à doença de Alzheimer. Apesar de tudo, a experiência evoca histórias da imaginação (geralmente distopias) sobre a separação entre cérebros e os respectivos corpos ou de ideias especulativas sobre a consciência humana.
A equipa, liderada por Ben Strowbridge, estava a estudar um certo tipo de neurónios, as células Mossy, que existem no Hipocampo, uma pequena zona no interior do cérebro geralmente associada à memória de longo prazo. Estas células (no caso, retiradas a ratos) conseguem manter-se activas em lâminas de tecidos cerebrais e estão danificadas em doentes com epilepsia.
Quando nestes tecidos foram colocados minúsculos eléctrodos, a actividade espontânea das células mostrou que estas se lembravam qual dos eléctrodos tinha sido usado anteriormente. Segundo os cientistas, as memórias duravam dez segundos, o mesmo que duram as memórias de curto prazo nos humanos.
Segundo Stowbridge, "a memória não era evidente numa única célula, mas numa população de células". O cientista explicou que, tal como acontece com as pessoas, as lembranças criadas em fatias de tecido cerebral tinham sido armazenadas em diferentes neurónios".
A complexidade da investigação exigiu quatro anos de trabalho e a base desta descoberta foi um estudo anterior, publicado em 2007 pela mesma equipa, que na altura elucidou a importância de um outro tipo raro de neurónio.
Esta investigação diz respeito apenas a uma das diferentes formas de memória, aquela a que os neurocientistas chamam a memória de trabalho, que geralmente dura dez segundos e que se dissipa para sempre. Nos humanos, há dois outros tipos de memórias, aquela que permite acumular factos (chamada declarativa) e outra que se concentra na aprendizagem de processos complexos, que envolvem várias etapas.
FONTE:
DN CIÊNCIA
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